..."Na capital estava tudo num estado excitação extraordinária: bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro em que houve uma tentativa de revolução a qual não venceu. Nessa tentativa estava implicada muita gente: foi depois dessa noite de 28, que o Ministro da Justiça Teixeira d'Abreu levou a Villa Viçosa o famoso decreto que foi publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter rubricado nesse dia de aniversário da revolta do Porto. Meu Pae não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pae quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na vespera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. "Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus!..."
in http://historiaaberta.com.sapo.pt/lib/doc012.htm
terça-feira, 6 de abril de 2010
O regicídio visto por João Franco
«(...) A minha carruagem era a quarta da fila, logo atrás do automóvel do infante D. Afonso. Surpreendido e inquieto pelo ruído de um tiro de revólver ou de Browning, que manifestamente vinha do lado da estátua equestre, quando a minha carruagem passava em frente à porta do Ministério da Guerra, e para logo sentindo apertar-se-me o coração, por àquele tiro, evidentemente um sinal, se ter imediatamente seguido um nutrido e rápido tiroteio para as bandas do Ministério das Obras Públicas, que as equipagens iam defrontando, - saltei do meu carro e corri para o lado de onde o tiroteio partira. Nessa ocasião ia passando também, a correr no mesmo sentido, o par do Reino António Costa, e ambos seguimos envolvidos na espessa onda de povo que fugia para as ruas do Ouro e do Arsenal. Quase ao dobrar a esquina para esta última rua, viu-me o director do Banco de Portugal, meu velho e dedicado amigo Gomes Neto, que, levantando os braços, exclamou: "Oh! João Franco, mataram o rei…" Ao que um polícia, ao nosso lado, acrescentou - "E mataram também o príncipe real!... Mas matámos já os que os mataram." E outro polícia ainda, com uma carabina na mão, e mostrando-ma, disse: - " Foi com esta que mataram o príncipe. Vou levá-la ao meu comandante." Perguntei para onde haviam seguido as carruagens, e ouvindo que para o Arsenal, lá me dirigi pela rua desse nome, a pé como viera até ali, sempre envolvido com populares que, apressados e inquietos, procuravam afastar-se, receando o mais que pudesse haver.»
In Franco Castello-Branco, João, Cartas D’El-Rei D. Carlos I a João Franco Castello-Branco seu último Presidente do Conselho, Lisboa, 1924
In Franco Castello-Branco, João, Cartas D’El-Rei D. Carlos I a João Franco Castello-Branco seu último Presidente do Conselho, Lisboa, 1924
quarta-feira, 24 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
O "Racha-Sindicalistas"

Afonso Costa, personagem relevante da 1ª República, assume o cargo de deputado no ano de 1900, com 19 anos de idade. Em 1906 é expulso de S. Bento por motivo de insultos à Coroa. Durante a 1ª República foi um dos políticos dominantes, ocupou a pasta da justiça e em 1913 foi primeiro- ministro. Enquanto governou, verificou-se uma grande agitação sindical, muitas greves e manifestações que foram reprimidas através da força. Chegaram mesmo a encerrar a "Casa Sindical" e a prender mais de quinze mil sindicalistas. Afonso Costa perde o apoio do operariado. A forma violenta que o seu governo utilizou para reprimir as manifestações sindicais levou a que Afonso Costa ficasse conhecido como o "racha-sindicalistas"
Fontes: Portugal Século XX, Círculo de Leitores
História de Portugal, Maria Cândida Proença
Teófilo Braga

Joaquim Teófilo Fernandes Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de Fevereiro de 1843. Foi um político, escritor e ensaísta português. Estreou-se na literatura em 1859 com “Folhas Verdes”. Era licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.
É um membro activo na política portuguesa desde 1878, ano em que concorre a deputado pelos republicanos federalistas. Exerce vários cargos de destaque nas estruturas do Partido Republicano Português. A 1 de Janeiro de 1910 torna-se membro efectivo do directório político, conjuntamente com Basílio Teles, Eusébio Leão, José Ribeiro e José Relvas.
A 28 de Agosto de 1910 é eleito deputado por Lisboa, e em Outubro do mesmo ano torna-se presidente do Governo Provisório.
Teófilo Braga foi eleito Presidente pelo Congresso, a 29 de Maio de 1915. Presidente de transição, face à demissão de Manuel de Arriaga, cumprirá o mandato até ao dia 5 de Outubro do mesmo ano, sendo substituído por Bernardino Machado.
Joana Mateus - 6ºD
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Personalidades da 1ª República
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